jOÃO PEDRO CAMPEÃOOOO!

Agora somos INTIMUS

Agora somos INTIMUS

Não temos mais segredos...

Não temos mais segredos...

Só nós dois!

Só nós dois!

Valeu pela visitinha!

Vc enxerga de longe?

Vc enxerga de longe?

Vamos rir um pouco?

Vamos rir um pouco?

Dá um tempo, André!

Dá um tempo, André!
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domingo, 23 de maio de 2010

















Eu peguei rubéola e fazia muito tempo que a gente não se via.Entramos dentro da fábrica em silêncio porque já era quase dez horas da noite e ninguém podia saber que estávamos ali.Acendemos as luzes e nos abraçamos muito forte num beijo estrelado.Caímos nas estôpas e Fábio queria me passar a mão debaixo da blusa.Então começou a luta corporal.Eu não queria.Já estava arrependida de estar ali com ele porque se quisesse me catar não teria ninguém para me socorrer.Ele transpirava frio.Que corpo, meu Deus.Era um deus.Peludo, bundudo, gostoso...
- Vou te fazer feliz...
- Por favor, não.
Me pegou no colo e me jogou dentro do tanque.
- Vou te fazer...feliz...aqui...
Esperniei, escorreguei pelo seu corpo e cai na sua boca faminta e tarada.
- Vamos conversar, Silmara.Eu amo vc.
- Fico contente por isto.
Eu não conseguia relaxar.Tinha medo.Era nova ainda.Não tinha ninguém.
- Fábio, espera.Eu nunca namorei.Esculta.Aquela história de Betinho, Samir...era tudo mentira minha.Eu sou virgem.
- Eu sei. - fungava.
- Porque vc tá assim? Tá estranho.Páraaaa! Seu olho tá revirando.Vc tá se sentindo bem? Fala comigo...Pára de gemer.
Corri me escondendo atrás de um fardo.Silêncio.Comecei a engatinhar pelo chão quando de repente me pulou nas costas feito um bicha louca.
- Surpresaaaa!
E consegui fugir saindo pela porta da frente feito um raio.Não tive notícias dele.Fiquei espionando atrás do muro e ele demorou um pouco para apagar todas as luzes e passar o cadeado na porta.





















Passou com o carro entupido de estopa e me botou pra dentro num puxão de braço:
- Vamo comigo.Rápido.Entra!
No meio do caminho parou o carro atrás do Clube Juventus.
- Por que parou?
- Nada.Tô com tontura.Preciso dar um tempo.Só um tempinho.
Nisso meteu o dedo num prégo e o meu banco despencou .
- Aiiiiii, o que foi?
-Calma.É só uma deitadinha de nada.
- Vc tá fazendo desse carro um motel, Fábio.Levanta essa joça.
- Que neorose.Relaxa, bebê.Vamos conversar...Me fala de vc.
- Eu não quero falar nada.Quero ir pra minha casa.Anda! Já!
- Não mesmo.Chama a tua mãe agora, chama. - ria com o cigarro na boca.
- Traídor.Vou chamar a polícia, isso sim.O que vc quer comigo?
- Um filho seu.Brincadeira!
Também deitou o seu banco, tragando o cigarro até o toco:
- Já pensou se a gente se casasse, Silmara?
- Que papo furado é este? Este lugar tá deserto.Pra onde vc me trouxe, seu tarado?
Chutei sua buzina e arranquei um tufo do seu cabelo chanelzinho.Mordeu a minha bochecha e pisei no seu pé, quase arrancando a unha.Rolamos dentro do carro.Meti o pé na porta e caí na calçada.
- Sua antipática do caramba!
- Vou embora a pé...Liga esta merda, já.
- eu só queria te fazer feliz, mas já que não quer, tudo bem.Um abraço!
E deu partida no carro comigo correndo atrás feito uma louca!



















Entramos dentro de um caixote de madeira no fundo do estacionamento da fábrica, rindo feito dois bobos.
- Como é bom amar vc! É tão linda! Tão feminina...
Seguramos nossas mãos bem forte.
- De todas as meninas que eu conhecí, de todas as idades e jeitos, a que eu mais amei foi você!
Me envolveu pela cintura e me beijou no pescoço.Sua cabeça estava apoiada no meu ombro e ficamos ali por minutos sem fim.Me sentia pura como nunca havia me sentido antes.De repente o assobio do seu pai.O grito:
-Fábiooooo, vem descarregar esse caminhão.
O corre!
- Vai lá.Depois a gente se vê.
- Eu te amo, Silmara.Sério.De verdade.Eu juro! Vc rí?
Eu ria porque não tinha noção que iríamos chorar e muitooooo!






















Enfeitamos a rua com bandeirinhas coloridas e flores pintadas por guache.Fui até o orelhão e liguei para a sua casa.
- Fábio...- minha voz era um sussurro.Eu tremia toda só de falar o seu nome.
- Silmara????!
- Fábio, vem aqui na rua me ver.Vem...
- Tô indo.
Subiu a viela com muita rapidez e ficamos nos olhando, mudos.
Era tempo de Copa do Mundo; de gol, de samba.Fizemos faixas coloridas e bandeirolas
3x4.Nossa rua parecia um picadeiro.Peguei um galão de tinta verde e outro amarelo pintando em frente a fábrica de estôpa enquanto me observava:
- EU TE AMO - 1982
Foi uma revolução e me senti feliz.















Ouvi a voz do Fábio no corredor da sua casa e fui correndo lhe ver.Nem toquei a campanhia.Subi os degraus em rumo ao seu quarto. Parei na porta e nossos olhares se cruzaram depois de tanto tempo perdido.
- Estava pensando em você agora, Silmara.
Caminhei alguns passos e sorri diante dele.
- Saudades de vc, Fábio.Onde vc táva? Quase morri.Nunca mais apareceu, caramba! VC é louco? Por que fez isto? Falaaaa...
- Desmancha esse namoro ridiculo, Silmara.Fica comigo!
Engolí as lágrimas e deitei no seu peito.
- Eu não posso.Preciso de alguém.
- VC tem eu.Pra quê mais? Casa comigo!Eu te amo tanto, tanto, tanto...
- Vc já tem noiva.Tem um vício.É diferente de mim, mas não me abandona!
E choramos abraçadinhos.





















Eu descia no bar todo instante para comprar algum cacareco.Hoje virou um Shopping de tanto que gastei naquela época.A fábrica continuava sozinha e o caminhão guardado no estacionamento, apodrecido no tempo.
Estou morta.
O meu olhar está sem brilho e me sinto incapaz de sorrir!

( 1982)














Morta de sede bati na sua porta pedindo caridade.Iria implorar que ficasse comigo.Queria colo; que me embalasse num sonho colorido.Havia me ensinado tudo de bom e no entanto havia me abandonado no escuro.Covarde!
Disparei a campanhia da sua casa feito uma louca:
- Por favor...chama o Fábio pra mim...Por favor!
Sua mãe sorriu porque me conhecia somente da rua:
- Ele viajou com a namorada.Foram pra Santos semana passada.Quer deixar recado?
Recado? Simplesmente que eu estava morrendo de saudades.


















Fábio sumiu por alguns dias.Numa noite chuvosa resolvi lhe procurar no colégio onde estudava.Eu queria vê-lo só para pedir perdão.Queria ter certeza de que ainda existia.Que não era apenas uma alucinação. Entrei em todas as salas do colégio Plínio Barreto e percorri corredores sem fim. Sentei-me numa carteira velha e chorei feito uma criança mimada que sabia ter perdido o seu doce preferido!
















Encostei-me no muro esperando o famoso Fuscão Preto.No horário certinho, Fábio subiu a viela todo engomadinho fedendo á perfume barato.
- Demorei no banho.O nosso namorado já chegou?~
- Deixa de ser intrometido, garoto.
- Nossaaaa, ele tá atrasadão, hein?
- Odeio vc.
- Não faz mal.É para o seu próprio bem, garota.Será que ele não vem? Justo hoje que ia pedir pra pagar uma pízza.Uma pizza vai bem, né? Vc gosta?
Virei o rosto balançando o pézinho.
- Não sei pq te dou tanta tréla.
Me sentia suja por dentro.Estava me sacrificando numa novela sem sentido.
Silêncio.
- Vcs se gostam, né? Responde, sua...sua...descarada.- riu.
- Que te interessa?
- Ele já te beijou na boca?
- Aiii, como ele tá demorando.
Num gesto rápido puxou o meu pescoço com força e me beijou a boca com agressividade.Foi o nosso primeiro beijo.
- Vc é minha, tá ouvindo?
Fiquei sem ação.
- Ebaaa, ele vem vindo.Olha lá o fuscão na esquina.Corre, menina.Agarra o pescoço dele e some daqui.
Peguei a varroura lhe tascando a testa:
- Someeeeeee! Encosto.
- Vc já é feia, brava então é horrível! Desse jeito vai ficar encalhada.
Sacudi sua camiseta pela gola.
- Prefiro ficar encalhada do que ficar com alguém como vc. Ridículo.
- Vc tá me ofendendo...
- Fumetaaaaaaaa!
- Bagulho.
- Eu amo o meu namorado.Vc não é nada perto dele.
Nisso abaixou os olhos, sério:
- Tá certo.Então fica com ele.Vai lá.É todo seu.
Virou as costas e foi embora.Nunca mais apareceu.Já havia anoitecido e procurei por todos os cantos, mas ele não estava.
- Fábio, cadê vc...O fuscão preto tá chegandooooo.Vem!
Teria que namorar sozinha e assim eu não queria.O desespero foi me torturando e quase enlouquecí.Estávamos só eu e o meu namorado.Mas faltava o meu marido!






















Comecei a namorar em casa com um cabelereiro que mais parecia um cofrinho coin-coin.Tinha banha até no branco do olho.Morria de desgosto e me mordia de raiva todas ás vezes que aparecia com aquele topete turbinado.O namoro já táva fazendo Bodas de Ouro, mas nunca havíamos nos beijado.Só na testa.Eu precisava dele para esquecer o Fábio.Quando apontava na rua com o seu fuscão preto, segurando a porta numa mão e o pneu no pescoço, Fábio aparecia do nada feito um terremoto.
- Oi, beleza? Quem é vc?
- Sou o namorado da Silmara.
- Ah, até que enfim ela desencalhou.
Eu queria morrer.
- Esta caranga é sua? Bacana! Demais.- dizia já entrando dentro do carro.
- Pô, vamos dar uma volta nós três.Entra ai, Silmara.VAMO chupar um sorvete pra comemorar.O seu namorado paga, não paga? Sabe, sou irmão de criação dela e a tia Maria só deixa a Silmara namorar comigo na cola, entendeu, né?
E lá íamos nós.Todos as noites saíamos nós três pra Paes de Barros e nunca consegui ser beijada pelo namorado porque o Fábio ficava de vela.
- Vc não se incomoda, não né? É costume familiar.
- Tudo bem, Fábio.Tudo bem.

Chegou em casa e parecia drogado.Um vazio imenso me dominou a alma e lhe servi um café bem quente.Fazia caretas e enxergava um barquinho na parede.
- Cê tá besta, é? O que tá acontecendo, hein Fábio?
Ria muito e me balançava pra lá e pra cá.
-Pára.Tô ficando zonza.
Encostou-se na parede e chorou numa gargalhada medonha.Via bicho, muito bicho.Só não via a minha tristeza e a minha dor.Estava perdendo vc!











Ele me lambeu o rosto, assoprou o cabelo e cochichou no ouvido.
- Não sou nenhum malandro, meu anjo.
Levantou o meu queixo com um dos dedos.
- Me dá uma beijoquinha, vai Silmarinha.
Estávamos dentro da boléia do seu caminhão e caia a maior chuva lá fora.
- Não se atreva a colocar essa mão pecaminosa dentro de mim, Fábio.
Ele riu:
- Dentro de vc?! Como assim, dentro de vc? NÃO vou te fazer o papanicolau, não.Só quero um beijo de verdade.
Cruzou os meus braços no peito montando em cima da minha barriga.Mordi suas mão com tudo e ele ria.Ria de babar.Soltei um grito estérico e o pessoal da fábrica saiu na porta chamando o seu pai.
- O que tá acontecendo aqui, hein? Larga a menina, Fábio.
Foi o maior mico.Ajeitei o cabelo e desci da boleia com cara de bunda.
- Só entrei ali dentro, Seu José, porque estava procurando a minha bola.
- Sei.- e rindo- Cuidado pra não achar, hein? Casa com ele, Silmara.O menino tá carente.- e se beijaram num gesto explícito de amor.













Subi as escadas da minha casa rebolando com um palmo de saia e mascando um chicléts.Nem percebi a sua presença insignificante.
- Aonde vc vai com esta roupinha ridícula e com essa cara leviana?
- Vou ter uma conversinha com a sua noiva.O nome dela é Sandra, né? Sandrão para os íntimos.Sei.TÔ sabendo!
- O que vc vai falar com ela? Tá louca?
- Vou fazer mais amizade.Afinal de contas temos muitas coisas em comum.
- Ela não presta, sabia? Se eu te pegar com ela...
- O que acontece, machão? Ela é uma piranhuda e eu quero aprender a ser do mesmo jeito.Não é assim que vc gosta, então.
Nisso me deu um tapa na boca e corri pro colo da minha mãe que pendurava a roupa no varal.
- O que aconteceu, Fábio? Porque ela tá chorando?
- Segura esta menina, dona Maria.Ela me tira do sério.Se eu souber...
Eu abraçava a minha mãe só mexendo a boquinha pra ele ver:
- Vou fumar maconha com ela.
E ele tentava me dar cascudo enquanto minha mãe punha ele pra correr.
- Sai daqui, Fabioooo.Vou contar pro seu pai.
-Ele é louco, manhê.É louco! - e mexia os lábios, rindo.
- VOU.AH, se vou!
O olho dele virou uma luneta.
- Eu te mato, Silmara.
Mostrei um palmo de língua e bati a porta na cara dele.























Sentamos no degrau da fábrica e parecíamos dois moleques travessos.Fiz cara de gente grande, empinei o dedo em sinal de discurso e empolei:
- Eu queria te dizer um negócio que tá engasgado aqui dentro de mim.Um negócio que tá tirando o meu sono e me deixando nervosa.
- Já sei.O primeiro amor é assim mesmo. A gente sofre pra caramba, mas eu vou ser compreensivo com vc. Sou um cara experiente e já passei por isto quando tinha a sua idade.Vai dizer que gosta de mim...Fala logo, docinho.
- NÃO, vou dizer que não gosto da sua maconha.E se vc não se cuidar, docinho, vou ficar viúva antes da hora.
Seu sorriso fingido foi se desfazendo e corou.
- Tá tudo bem.- abaixou os olhos.
- Vou dizer também que apesar de ser uma idiota, sou também sua amiga.Se precisar de mim, estamos ai.
Devagarinho foi se aproximando e apertou a minha mão na sua, numa única energia.Éramos casados e já sabíamos.

















Ficou rodeando a porta do meu colégio com um cacareco que chamava de moto.Eu estudava na escola Monte Serrat e quando percebi sua cabeçona na esquina, abracei o primeiro moleque que passou por mim, lhe tascando um beijo na cara:
- Aiiiii, querido.Vc tá demais! Te ligo depois.
Coitada de mim.Nem telefone eu tinha.Era uma durenga do caramba! Me encarou arrancando com tudo:
- Idiota mesmo. Vim buscar a minha namorada.Ela estuda aqui.
- Nossa como esta escola tá esculachada.
- Depois que vc se matriculou aqui, minha filha.
- Ah, é? É mesmo seu burguesinho do caramba!
Peguei um pedaço de pedra e corri atrás dele para lhe acertar o cocoruco.




















Entrou em casa com tudo trancando a porta com a chave.
- Grita agora, gritaaaaaa! A chave tá no meu bolso.
Arregalou os olhos e sorriu dum jeito malicioso.
- É agora ou nunca.
Me prendeu na parede e passei por meio da suas pernas.Grudou na minha cintura e rolamos pelo chão.Eu queria tudo com ele, mas sentia medo.Tudo que eu falo se resume num beijo.Aliás, um beijão.Beijão de língua.Eu nunca tinha beijado alguém.Será que o Fábio tinha um trabuco peludo embaixo das calças? Não, ele não. Deveria ter a coisa mais gostosa do mundo porque ele era todo amor!
Subi em cima da mesa e ele fez o mesmo, rindo.
- Vc é casca grossa, hein?
Sua risada começou a ganhar peso e mal conseguia engatinhar.Ria e babava! Babava e ria!
- Não vou te machucar.Só quero um beijo seu.
Meu coração tava na boca. Me espremeu feito um purê de tomate.Fiz beicinho, empinei os lábios na sua direção e chorei:
- Não chora.É só um beijo.Deixa de ser miserável...
Fingi que ia grudar o meu beiço no seu e quando estava quase ali, lhe dei um muque na boca que arrancou sangue.
- Aiiiiii! Filha da mãe.
Fechei os olhos e coloquei a boca no mundo:
- Socorroooooooooooooooooooo!
A vizinhança apareceu todinha no muro e ele fugiu com 50 pernas.











Sua namorada parecia uma caixa de sabão em pó.Desceu a rua com um tamanquinho brega e com a boca que parecia um trombonete gritava:
- Aparece aqui Fabião.Vamo fazê mais um filho.
Parou em frente a porta da fábrica com o estilete na mão:
- Vc vai me desprezar agora que já comeu, é?
Ele colocou só a cabecinha do lado de fora enquanto ela amolava o estilete no poste.
Eu tremia feito taquara.Fábio me olhou.Abaixei a cabeça.
- Vc sabia que ele é o meu noivo? - gritou para mim.
Continuei em silêncio.
- Estou esperando um filho dele.Isto ele não te contou, né?
Ele já não me contava muitas coisas que na verdade nunca irei saber.



















Eu estava ainda com um quilo de serpentina no cabelo quando aquele verme passou por mim rebolando a carcacinha.
Me escondi debaixo do muro e lhe taquei uma golfada de água na fuça.
- ÊEEE, viva o carnaval! - cantarolei.- O pierrô apaixonadoooooo...
Levantou os olhos trincados de desprezo.
- Vai brincar com gente da sua idade, pivete.
- Ai, idoso! Vc é um velho rabugento.
- Não gosto deste tipo de brincadeira.
- Ah, vc não gosta, é?
E então abri mais a torneira lhe dando um banho da cabeça aos pés.Mirei bem no cigarro entalado dentro da sua boca e apaguei a brasa num jato fulminante.
- Vivaaaa!
- Filha da mãe!
Pulou o muro e me pegou ali mesmo no degrau da minha casa.Rolamos no chão aos gritos.A vizinhança apareceu na janela.Acodeeeee!
Nos encaramos com os corpos molhados e suados:
- Vc vou pular carnaval, né? Eu te disse que não era pra ir.Fogueteira!
Levantou-se, pegou o toco do cigarro ensopado e meteu no canto da boca.




















Resolvi ir ao cabelereiro e empestiei a cabeça de Bobs.Todas ás vezes que me olhava no espelho do salão tinha vontade de chorar.Esperei que anoitecesse para sair na rua só de medo que o Fábio pudesse me encontrar naquele estado lamentável.Saí grudada nos postes e fui caminhando lentamente na escuridão.A fábrica já estava fechada e não tinha uma viva alma dando sopa.Quando abri o portão da minha casa, pé ante pé, ele pulou na minha frente me dando um susto:
- Pegueiiiii!
Mas quando me viu com aquele cabeção enrolado, caiu pra trás gritando:
- Socorroooooo, é a mulher do saco!
- Mulher do saco é a sua mãe!
Nisso pulou o muro rindo até babar.Ele ria até babar mesmo.Eu me lembro disto.Limpava a boca com o punho da camiseta.Depois acendia mais um cigarro achando muita graça em tudo.Fábio era feliz, porém me fez a pessoa mais infeliz do mundo!






















Todo mundo tá com alguém, menos eu.Maldita sociedade.Maldito dinheiro.Por que será que ninguém me quer? Nem minha mãe me quis...Odeio todos vcs!
Um dia disse que me amava...Agora nem se lembra de mim.