jOÃO PEDRO CAMPEÃOOOO!

Agora somos INTIMUS

Agora somos INTIMUS

Não temos mais segredos...

Não temos mais segredos...

Só nós dois!

Só nós dois!

Valeu pela visitinha!

Vc enxerga de longe?

Vc enxerga de longe?

Vamos rir um pouco?

Vamos rir um pouco?

Dá um tempo, André!

Dá um tempo, André!
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sábado, 22 de maio de 2010

Roupa de véia!


De repente ouvi um murmúrio sobre o casamento da minha prima-rica Denise e o que aquele evento importante tinha a ver comigo? A minha ilustre presença.
- Eu não vou.Nem morta.- disse pra minha mãe.- Não tenho nem roupa pra isto.
- A tia Isaura vai te mandar um vestido de presente.
- Sério?! Aí tudo muda de figura, mamys.Quero um vestido bem bacana...
- Ela já escolheu o modelo.
- Uma véia de cem anos escolheu o modelo??! E como este vestido é, hein?
- A tia Maria do Carmo vai trazer a caixa no domingo.
Aiii que dor de barriga! Todas as minhas primas estavam na costureira experimentando seus longuetes prateados e a Silmarinha breguinha esperava apenas o pacote misterioso que finalmente chegou no almoço de domingo.
- Silmarinha, a tia Isaura comprou pra vc.Aliás, acho que era dela, sei lá.Disse que usava o seu número há um tempo atrás.
- Um tempo de quanto?- fiz bico.
- Um tempo de ...faz as contas.Ela nasceu em 1928...Quase enfartei!
Quando abri o pacote enfeitado por um laço de cetim e esparramei aquele trapo brilhante no meio da cama uma lágrima escorreu do meu olho.Tia Maria , que era espirita sentiu a vibração forte e reforçou:
- Ela faz questão.
- É trote.Só pode.
O vestido tinha bolas roxas na lapela; a cintura era listrada e o babado xadrez.
- É um estilo inovador.
- Eu não vou nesta merda.
Minha mãe começou a dar chilique.Aquele chilique básico de toda mãe:
- Vc não vai me fazer uma desfeita desta...A tia Isaura...
- Eu quero que ela se exploda!
Nisso o grito e o choro:
- Aiiii, que vergonha.Todo mundo vai falar...
Minha tia Maria, com voz de Chico Xavier, discursava em transe:
- A Silmarinha vai usar o vestido, Maria.Calma.Ela é uma boa menina.
Era boa, mas não era idiota.Ai Jesuuuuus! Já via tudo.E só não viu o mico quem não foi na grande festa.Todos os primos rodopiavam no salão e eu estava com aquele vestido que mais parecia uma lona de circo com um xale branco por cima, para disfarçar um pouco.Sentei-me embaixo de um vaso de planta e só sai de lá quando o meu tio Valentim chamou para ir embora de kombi.Não falei com ninguém.Não comi.Não sorri.Minha mãe falava por mim:
- A Silmarinha está encantada com a festa! Não é, Silmarinha? Não tinha pick nem pra responder.Tava indignada de vergonha!

Silmarinha o CACETE!


Detestava ser chamada por Silmarinha porque rimava com:
- coitadinha
- pobrezinha
- bundinha
- perninha
- tetinha
- canelinha
- encalhadinha
- feinha
- sonsinha
- empregadinha
- um NADINHA!
- Quem? Aquela que a mãe era uma galinha

Rica e Poderosa!


Reunimos todos os nossos cacos e aterrizamos na rua Francisco Retti no bairro da Mooca.Que felicidadeeeeee! Quando sai daquele cortiço eu não olhei nem para trás.A nossa mudança era muito brega e descemos do caminhão geladeira velha, máquina de costura sem pé, sofá furado, mesa rachada ao meio...Mas eu estava muito feliz!Beijava o meu pai toda hora e ele sorria também.
- Aqui vai ser o meu reinado.- dizia.
Me sentia uma celebridade! Estávamos nos mudando para uma casinha simples, mas com banheiro azulejado e com um chuveiro lindo de morrer!
Eu tomava uns trinta banhos por dia.Cantava no chuveiro e me achava rica.Muito rica e poderosa!

Vamos mudar deste cortiço brega!


Você já teve ter percebido que a minha auto estima estava no pé...Mas quando minha mãe comentou rapidamente comigo que talvez nos mudaríamos daquele cortiço,soltei uma gargalhada infinitivamente feliz;
- Sério? Quando?
- Não sei ainda.Preciso conversar com o seu pai.
Xiiiiii.Então não ia rolar nunca.Ele era baixo astral e muito negativo.
- Mãe diz pra ele que eu não entro mais na bacia pra tomar banho...Tenho vergonha quando chega uma visita e a gente precisa jogar toda a água ensaboada na pia, pendurar a bacia atráas da porta e atender como se nada estivesse acontecendo.Eu quero ter uma sala pra receber minhas colegas da escola...Por favorrrrr!
Ela também queria isto.Mas eu não conseguia entender que meu pai ganhava pouco.Que a nossa geladeira não tinha quase nada e que o único iorgute que compravam eu tomava em conta gotas para render a semana toda.
Fiquei naquela ansiedade.Tinha que sair daquele buraco horrível.E rezava fervorosamente para nos mudarmos bem longe daquele mocó.

Essa é a menina de criação?






















Meus pais nunca se beijavam e não riam também.Era um meio sorriso xoxo, sem vida.Acho que eles não transavam, nada.Meu pai era assexuado.Com certeza deveria ter um quiabo murcho com dois inhames embaixo da cueca.Trabalhavam pra caramba! Minha mãe só ficava na máquina de costura e nos finais de semana fazia unha pra fora.Pouco conversávamos.Ela não tinha tempo.Ele só fazia hora extra.Eu não tinha sala.Não tinha chuveiro.Não tinha raízes.Não tinha merda nenhuma.Chorava escondido pelos cantos.Era diferente dos meus primos e fazia de tudo para disfarçar a minha desventura.Era como se não sentisse.Todos os domingos nos reuniamos na casa de uma tia.Lá a gente almoçava em família e íamos embora ás quatro horas da tarde.ÁS vezes de ônibus ou de carona na kombi do meu tio Valentim.Eu sempre levava umas frases da Bíblia escritas num papel recortado em tiras.Distribuia entre elas para impressionar.Tinha que fazer a diferença.
- A senhora está bonita, titia.
- Ah, a Silmarinha é uma graça.
- É a cara do Zito.- apelido do meu pai.
E ás vezes tinha aquela visita desagradável que comentava com cara de bunda:
- O Zito tem uma filha?! Ah, é aquela que ele pegou pra criar? - perguntava rangendo os dentes num sorriso amarelado.
E eu fingia não ouvir.Fingia não sentir.Fingia não sofrer!

Tá te faltando o quê?






















Meu pai teve um milhão de oportunidades para me reconquistar só que isto nunca aconteceu.Ele preferia zombar dos meus sonhos, da minha cara, do meu jeito...Eu me sentia péssima: um cacooo.Quando era criança a gente brincava de filhinho e mamãe e eu era a mamãe; de esconde esconde dentro do nosso minúsculo quarto e cozinha, de um monte de baboseiras que me faziam feliz.DEpois que tive a minha primeira menstruação ele me matou na mesma noite.Só se referia a mim para dizer;
- Amor é comida no armário.Tá te faltando alguma coisa?
Tanta coisa, meu pai.Tanta coisa que você nunca soube! E a mais importante de todas era o seu abraço que nunca mais senti!

Eu era uma ZÉ MANÉ do caramba!
















A minha primeira paixão, daquela forte e arrebatadora, foi pelo meu primo Marcelo.Tínhamos quase a mesma idade e éramos muito próximos, mas ao mesmo tempo tinha um abismo entre nós.Marcelo era rico e eu uma Zé Mané do caramba sem eira e nem beira que não sabia quem era a própria mãe.Só que demorou para me cair a ficha.No final do ano passávamos as festas no sítio da sua família, em Pardinho, e eu me sentia como se fossemos carne e unha.Andávamos a cavalo, mergulhávamos na piscina e ríamos muitooooo.Morríamos de ciúmes um do outro e rolava um clima; um clima platônico.Nunca lhe disse nada, mas meus olhos falavam tudo.Até que numa dessas viagens estávamos no carro da minha tia Nídia, irmã do meu pai e sua avó, quando alguém comentou para a minha surpresa;
- O Marcelo podia casar com a Silmarinha, né?Eles se dão tão bem!
E ela, na mesma hora, me fez escorrer uma lágrima pelo canto do olho, quando retrucou com muita raiva;
- Você tá louco, né? Tanta menina bonita e rica, como ele...Menina do Morumbi, filhas de empresário; do clube Paineiras onde ele treina todos os dias...Você acha que o Marcelo se casaria com uma menina que veio (sei lá de onde)?
Então engoli aquele choro salgado como que se estivesse com um giló na goela e procurando sorrir, murmurei num miado porque estava sem forças para falar:
- Pára, que bobeira.Eu gosto de um menino da minha escola.O nome dele é...é Leonardo.
- Ahhhh, bom.E o que a família dele faz?
- O pai de Leonardo é funcionário público.
Nisso eu e Marcelo nos olhamos e acho que tudo acabou naquele instante.
Então minha tia sorriu aliviada sem perceber que eu chorava em silêncio.

Raiva do meu pai

















Aos 11 anos de idade eu era obcecada por escrever textos, principalmente em inglês.Caracas, hein? Só que o meu inglês era tirado das legendas dos filmes.Anotava rapidamente num caderno a conversa dos artistas, a tradução no rodapé da TV e como se pronunciava aquela palavra em português.Depois ia até o espelho com um quilo de chicléts na boca para a língua ficar mais elástica e fazia caras e bocas numa interpretação digna de aplausos;
- Ailoveiu, mai diar.Guudimorningui mister magu!- com direito a piscadinha de olho no final.
Repetia mil vezes o mesmo textinho mixuruca até decorar tudo.Passava horas fazendo isto.Criava histórias com ilustrações nas folhas do caderno e já dizia que seria uma grande escritora.Meu pai, coitado, balançava a cabeça pra lá e pra cá:
- Ela acha que é filha do Silvio Santos.Eu sou porteiro de gráfica, menina.Acordaaa1
Eu bufava de raiva.Queria ler para ele as minhas estórias, mas estava sempre cansado e dormia antes mesmo de terminar o primeiro capítulo.Comecei a ficar invocada com o meu pai.Achava que ele sentia desprezo por mim e uma mágoa estranha foi crescendo dentro do meu coração.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O trabucão peludo!






















Eu nunca tinha visto um homem de verdade pelado.Não queria ver.Sentia medo deles.Diziam ás más linguas que tinham um trabuco no meio das pernas.Como seria esse trabuco? Preto ou marrom? Com pêlo? Careca?Meio calvo? Depois falavam que era uma linguiça.Fina? Grossa? Do tipo toscana? Ficava tentando imaginar um homem todo charmoso e gostoso com um tréco misterioso ali embaixo.Sério.Sem chance! Beijar na boca tudo bem, mas transarrrrrr...Tava fora.Homem era porco.Devia feder a mijo misturado com enxofre.Credoooo! Mijo misturado com merda e pum.Não, definitivamente nunca iria transar.Morreria virgem.Inventaria pra todo mundo uma história erótica e pronto.Quem poderia provar que ainda era virgem? Ninguém.Espalharia para as amigas que já tinha transado com o..o...carteiro,açougueiro, padeiro,jornaleiro...Tudo isso só pra não ser motivo de chacota!

Eu roubei a oferenda da igreja


Naquela época eu já tinha fama de biruta.Fazia tudo que me vinha na cabeça e não tava nem aí para que os outros pudessem falar.Queria que eles se explodissem ao meio de tanta cafonice! Ao chegar na casa da minha tia Dirce me empiriquitava toda só pra dar um rolê na avenida.Trancava a cara e não dava bola pra ninguém.Sentia raiva porque falavam do meu passado e até sabiam dele muito mais do que eu.Um dia entrei na Igreja da Matriz com uma mini saia do tamanho de um dedo.Fui direto na cadeira do padre.Sentei com tudo! Não era a filha da puta? Então, estava ali esbugalhadona na cadeira do padre.Todo mundo que entrava na igreja se assustava com minha pose atrevida.Parecia uma Madre Santa.Olhava os fiéis por cima dos óculos de sol.Muda, ali, dona da situação.Era filha de Maria Madalena: a mulher da vida.A mais amada por Jesus.Tinha tudo a ver comigo.Depois desci degrau por degrau.Ajoelhei-me em frente a caixa de oferendas e com a ponta do grampo roubei duas notas de um cruzeiro.Discretamente fiz uma oração de agradecimento colocando o dinheiro dentro do sholtien.Sai nas pontas dos pés com a leveza de uma pecadora.Fui até a sorveteria e gastei com uma bola de pistache.

A bonitinha do titio



Quando saimos do interior para morarmos em São Paulo não deixamos amigos por lá, principalmente eu, que era chamada de "a filha da puta" pelos cantos da cidade.A molecada fazia coro e aos poucos fui pegando raiva deles porque não sabia que era filha adotiva.Todo mundo conhecia o meu passado infeliz, menos eu.
Só que minha tia Dirce, meu Tio freitas, a Rose e o Carlinhos eram muito especiais para mim e valiam qualquer sacrifício.O meu tio ficou sócio de um rancho em Santa Fé do Sul e íamos com sua Variant amarela chapada de comida, bebida e baralho.A gente virava a noite jogando buraco.Meu tio Freitas era uma comédia.Brigava por qualquer motivo e eu tinha a maior paura dele.Quando bebia cuspia fogo pelas ventas e acabava com a festa em dois palitos.Havia composto o hino do rancho e fazia a gente cantar na ida e na volta.Eu, como era muito puxa saco, fazia o refrão com direito a uma reboladinha.E ainda gritava: - De novo.Não há ó gente quem não goste da Maré Mansaaaa...A Maré Mansa é toda iluminada onde de manhã canta a passarada; de dia de noite é aquela peixada peixada,peixadaaaaaaaaaaa...
E minha goela tremia nos ares.Ele até chorava, emocionado.
- A Silmarinha tem vozEla é danada.Tem estilo.Parece um curió.Canta!
E aí eu tinha um tréco, puxando novamente a cantoria:
- Vamo, não pára.A Maré Mansa é toda iluminadaaaaaaaaaaaaaaaa...
Meus primos não aguentavam mais e fingiam dormir no caminho, enquanto eu estava até zonza de tanto balançar a cabeça no ritmo da música.Depois o meu tio Freitas me abraçava feliz e me pagava uma Tubaina no bar.Nas férias de final de ano eu ia pra Valentim Gentil na casa da minha tia Dirce.

As titias


As minhas tias eram muito engraçadas; a maioria tinha quase cem anos, falava pra caramba e adorava ler.Eu sentia orgulho da panca delas.No dia a dia usavam terninhos de linho beje da falecida Malharia Luíza e nos casamentos vestidos empetecados por lantejoulas, meia calça da cor da pele, bijuterias com detalhes em crochê e penteados de vários andares na cabeça que mais pareciam uma mesa de bolo.A dentadura deveria ter cinquenta dentes e elas nunca riam alto, conversavam sobre conhecimentos gerais e punham a gente no chinelo.
Quase todos os domingos faziam uma visita de longas horas e o nosso cortiço ficava mais chique com aquele desfile da terceira idade.Minha mãe se acabava na cozinha fazendo cuzcuz e a famosa maionese.Elas não sabiam fritar um ovo e se deliciavam com o rango vitaminado que era servido ali em casa.Não lavavam um copo...Depois da comilança ficavam palitando os dentões de zinabre com os mesmos comentários de sempre:
- A Maria tem uma mão de ouro! E a Silmarinha não cozinha nada?
Tá louco.Só pensavam em comida!rsrs
Falavam sobre a minha escola e finalizavam com a pergunta do século:
- O que a silmarinha vai ser quando crescer?
Bosta! - respondia baixinho.
- Como? - insistiam.
- Aeromoça.- ria com o dente quebrado.
Maldito dente quebrado.Eu já tinha grudado até um chicléts, mas nada.Não tinha grana pra arrumar aquela boca de sapo.
- A Silmarinha já é moça.- dizia minha mãe passando a vassoura na cozinha.
- Agora tem que se cuidar senão logo logo, ó!
Logo logo o quê? Elas não falavam claramente as coisas.Ficavam de fuxiquê e eu não entendia nada brincando com a minha boneca no canto do sofá.
Será que eu poderia ter nenem só porque já era mocinha? Só de sentar no banco do ônibus eu engravidava? De quem? Do cobrador ou do motorista? De quem estivesse sentado ali primeiro, é lógico.Darrrrr! Por que não tinha pensado nisto antes? Por isto que meu pai havia se afastado de mim...- matutava - para não ser avô do seu próprio filho.Será?!?!

Meu pai me ignorou para sempre!


Todas ás noites eu esperava o meu pai chegar do serviço trancada dentro do guarda roupa para que ele pudesse ficar me procurando pela casa.
-Onde está a Silmarinha? Cadê?
Depois de algumas voltas pelos comodos que na vardade eram dois (um quarto e cozinha), puxava a porta do guarda roupa com cara de susto:
- Ohhhhhhhh! Ela está aqui.Que surpresaaaaa!
E eu ria até mijar nas calças.Achava uma graça danada! Que sem graça!
Então fiquei ali sem respirar com o olho pregado no vão da porta do guarda roupa e assim que chegou em casa, minha mãe deu a notícia:
- A Silmara ficou mocinha hoje.
Nossa, que revelação bombástica!Meu pai ficou mudo.Guardou a pasta num canto, resmungou qualquer coisa e foi deitar.Quase mofei ali dentro por muitas e muitas vezes porque ele nunca mais brincou comigo.Chorei muito quietinha no meu canto! Havia perdido o meu melhor amigo!

Ai que cólicaaaaaaa!


Eu era tão idiota que ao me sentir excluída pelos amiguinhos do colágio por não ser uma mocinha, rezava noite e dia para ficar menstruada logo.E num belo dia, quando estava tomando banho na minha adorada bacia de alumínio senti uma coisa estranha sair de dentro de mim e esta coisa manchou toda a água de vermelho.Soltei um grito de alegria e olhando ao redor percebi que minha roupa já havia sido manchada.
- Vivaaaaaaa! Agora faço parte da turma.
Enrolei-me na toalha já com outra postura; olho sensual, corpo ereto, boquinha de biscoito...Agora era uma moça e precisava ter charme.Fui para a escola de mini saia, sandália plataforma e batom vermelho.Parecia uma drag queen.
Quando as meninas chegavam perto eu fazia cara de choro e miava:
- Ai que cólica filha da mãe.É horrivel, né? Estou com cólica.Cólica, ouviu? Cólica daquilo lá...Você também tem cólica? Eu só uso modess tamanho família...Todo mês é uma tortura.Tomo até chá de camomila.Que horrível! Credoooooo!
O meu assunto era a bendita cólica e comentava pra todo mundo ao redor.De repente até a tia da cantina estava solidária a minha dor.Que felicidade, eu era uma nova mulher!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu fui a garota mais feia da galáxia!

















Estudei no colégio Monte Serrat e morria de amores por um tal de Santiago que dizia na minha cara que eu era a garota mais feia da galáxia.
-Se toca, mocréia.
Eu era mesmo feia que dói! Tinha um par de perna fina, bunda murcha,dente quebrado e cabelo escorrido com a franjinha separada por grampos enferrujados.Além de tudo era sonsa e minhas piadas não tinham a maior graça.Todo mundo ria de mim e achavam que eu era muito babaca.
- A Silmara não tem nem teta.
Pior que era verdade.Eu usava um enchimento debaixo da camiseta.Era um pano de prato enrolado dentro de um sholtien.Nunca ficava pelada perto das outras porque tinha corpo de um pé de cebola e não queria que espalhassem a minha desventura.Me sentia completamente excluída e rezava todas as noites para que Deus se lembrasse de mim, colocando um par de tetas turbinadas e poderosas!

domingo, 16 de maio de 2010

O primo tarado






















Toda garota tem um primo tarado e é uma tortura.Este infeliz não se tocava de jeito nenhum e queria me tocar de todo jeito! Comecei a sentir nojo dele e de todos os homens.Era uma mistura de sentimentos.Ao mesmo tempo que desejava os meninos da escola tinha medo do que poderiam fazer comigo.O meu pavor era tanto que não chegava perto.Acho que comecei a ficar meio biruta nesta época.O pior era que o entulho tinha o dobro da minha idade e era muito próximo de casa.Mas não vou gastar o meu português com esse idiota.Na minha cabeça martelava minhas neoroses:
- Quem era minha mãe verdadeira.Qual seria o nome dela?
- Será que todo homem tinha um pedaço de pau peludo no meio da perna?
- Por que aquele meu primo picareta insistia em apertar os meus peitos?
Aliás, nem peito eu tinha.Era uma picada de vespa muito mixuruca que fazia um voluminho na camiseta.Muitas vezes eu comentei com minha mãe que não gostava dele perto de mim só que nunca deu atenção.
- Você é uma tonta. Ele é seu primo.
Por isto mesmo.Primos não deveriam apertar o bico do peito das primas, ainda mais se ela tivesse apenas 11 anos de idade.

Meu primeiro beijo de amor






















Eu não tinha muita diversão naquele cortiço horroroso então fiz amizade com a vizinhança e em pouco tempo era a chacrete do pedaço.Para matar o tempo comecei a ensinar para a molecada as primeiras letras do alfabeto.Minha mãe arrumou um serviço no bairro da Mooca e lá do meu portão eu conseguia enxergar o telhado da casa onde tinha a oficina de costura.Ficava praticamente o dia inteiro sozinha e para não sentir medo conversava com minhas bonecas.No começo eu era a mamãe delas, mas conforme ia crescendo olhava o meu boneco de borracha com outros olhos...Olhos de paixão! Ele tinha uma boca enorme e eu enfiava a lingua lá dentro num beijo sensual.O seu nome era Roberto e ajeitava o seu corpinho duro feito pedra ao lado do travesseiro.Tivemos um caso secreto por muito tempo e só não casamos porque eu já estava de olho nos moleques da escola.

sábado, 15 de maio de 2010

Revistinha de sacanagem


Eu sentia meus calafrios pelo Zorro; pelo professor de catecismo;pelo Homem Invisível;pelo Chacrinha...Rsrsrs! Mentira.Chacrinha era forçar a amizade, né? A minha vontade era de socar muitos beijos na boca deles, fazer qualquer coisa estranha com eles que na verdade nem sabia direito como seria isto.Minha mãe dizia que o homem tinha um pedaço de pau cabeludo no meio da perna.Será? Este detalhe me punha medo.Se me metessem este pau com tudo na cabeça trincando os meus miolos?
Só que de repente passei a mão embaixo da carteira e achei um folhetim meio estrupiado.Puxei um pedacinho da capa pra ver e me saltou aos olhos um pedaço de teta.Nossaaaa, era uma teta chupada.Chupada por um bocão.Enfiei tudo dentro da blusa e pedi licença para ir ao banheiro.Tranquei a porta folheando cada página com os olhos em brasa.Havia acabado de comer um pão com manteiga e vomitei tudo de puro nojo.Inheca!Era uma revistinha de sei lá o quê.Parecia que os desenhos estavam se devorando.Depois cerravam os olhos com gemidinhos assim HUmmmm, HÃAAAA, que selvagem! Credo, quis morrer de azia.

Eu tive muitos namorados que nunca souberam do nosso romance.Curtia uma paixão muda; adorava ficar filmando minhas vítimas para depois sonhar com elas na calada da noite.Me apaixonei por um tal de Robinson, Marcão, Robertinho, Santiago...Mas nada foi tão fulminante como o meu frenesi por um professor de catecismo.Ele era noivo há cinco anos só que quando deu a mão para mim rezarmos o Pai Nosso tive a certeza que aquele aperto de dedos era muito mais que uma simples oração.Com certeza estava louco por mim e não tinha coragem de se declarar.Agora lembrei o nome do pobre coitado: Américo.Isso mesmo.Enquanto rezava com os olhos fechados eu tinha orgasmos mentais de pura alegria! Depois fiz biquinho de periquito no cio, sorrindo com timidez:
- Amém!

Zorro e eu.


Era um quarto e cozinha lá no fundo, mas bem no fundo do quintal.Não tinha banheiro e precisavámos tomar banho dentro de uma bacia de alumínio.Nos primeiros anos eu ainda conseguia deitar dentro dela, mas depois só cabia a minha bunda e as pernas ensaboadas ficavam balagandando do lado de fora.Sentia um negócio diferente quando via o Zorro na televisão.Foi o meu primeiro amor.Tínhamos uma cumplicidade sensual e todas ás vezes que fazia charminho com a boca eu achava que era pra mim...Teve um dia que me levantei da bacia totalmente pelada, com os olhos grudados nos seus, pisquei um olho rosnando a voz:
- Zorro, sou toda sua!
Nisso cai no arrependimento mortal, soltei um grito e me enrolei na toalha de mesa desligando com tudo a televisão.Quase que foi a nossa primeira vez!