jOÃO PEDRO CAMPEÃOOOO!

Agora somos INTIMUS

Agora somos INTIMUS

Não temos mais segredos...

Não temos mais segredos...

Só nós dois!

Só nós dois!

Valeu pela visitinha!

Vc enxerga de longe?

Vc enxerga de longe?

Vamos rir um pouco?

Vamos rir um pouco?

Dá um tempo, André!

Dá um tempo, André!
Mostrando postagens com marcador Fábio.O começo do FIM. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 26 de maio de 2010



















Conversava com as pessoas como que se estivesse dopada.É difícil aceitar a fome, a sede e a carência vital.Ele era a minha fonte geradora de energia e estávamos morrendo sem saber o motivo.Era tudo muito confuso...De repente Fábio passou a me odiar.Procurei seu pai na porta da fábrica de estôpa e ele parecia muito triste:
- Seu José, o que tá acontecendo?
- Não sei.- seus olhos lacrimejavam.
- Ele nem me olha...Finge que não me conhece.
- Ele vai ser internado num sanatório.
- Não brinca! Não, não! - segurei sua mão:- Não faça isto.Por favor!
Ele começou a assobiar, disfarçando a dor.
- Eu vou fazer o que?
- Me deixa falar com ele.
- Ele não fala com ninguém.
E virou as costas para não desabar na minha frente.

segunda-feira, 24 de maio de 2010














Fiquei por quase uma hora espionando atrás do muro, pois sabia que seus pais iriam sair de carro.Era quase meia noite e todos os sábados sua família ia jogar bingo no Juventus.Descí a viela correndo com o coração na boca.Deveria estar sozinho.Sua casa parecia um breu, mas com certeza estava lá dentro apodrecido em algum lugar.Disparei a campainha.Nada.Empurrei o portão da garagem e ele estava sentado em frente a TV desligada.Meti a mão no vitrô da sala.
- Fábio, abre aqui...por favor...Sou eu, a Silmara.
Ele nem se mexeu.Comecei a gritar o seu nome:
- Fábioooooo, abre pra mim.Pelo amor de Deus.Fala comigo.
Ele tapou os ouvidos com as duas mãos, mudo.
Me olhou devagarinho como uma criança assustada.
- Deixa eu te ajudar...Eu só tenho vc! Eu só tenho vc...- escorreguei o corpo na parede.- Não me abandona vc também.Eu tô com medo! Meu Deus!!!
Eu sacudia as grades numa dor sem fim.
- Vai embora.- murmurou.
- Por que? Me fala...
- Eu tô doente.Vai embora.
Tapou os olhos, virando o rosto para a outra escuridão.
Subi a viela correndo até a padaria.Estava descabelada, descalça, desnuda...Comprei algumas fichas telefônicas e o orelhão engoliu quase todas.Vai, atendeeeee!Após muitas tentativas ele me atendeu.Reconheci pela respiração ofegante.
- Fábio, não desliga.Vc vai me ouvir.
- Hum.
- Por favor, um dia vc disse que me amava, lembra? Talvez fosse até brincadeira sua, mas eu te amo! Eu te amo! Eu te amo e isto é sério.Hoje vc me mandou embora da sua casa, da sua vida.Se amanhã precisar de mim...eu tô aqui.
Não consegui falar mais nada e ele desligou.

















Estava morrendo.Emagreci 05 quilos e a anemia me devorava por dentro; me entreguei numa cama, tremendo de amor e ódio.Queria vê-lo a qualquer preço mesmo sabendo que estava barbudo, gordo e monstruoso.Todos os dias lhe esperava na janela.Aos poucos minhas esperanças foram se desfazendo dando lugar ao desespero.
Procurei dentro de mim as palavras mais exóticas e os sentidos mais clássicos para lhe escrever uma carta.Queria que as letras se confundissem com o os ladrilhos sentimentais que se dilaceravam dentro de mim.Pedi que o carteiro lhe entregasse em nome do amor.
- Por favor, é para o Fábio.Diga que foi a Silmara quem mandou.Vc faz isto por mim?
- Claro.Fiquei sabendo que ele está doente...meio deprimido...
- É, acho que sim.Qualquer coisa fale que estou em casa...sozinha.
Corri até o espelho e me arrumei toda germinando vida na alma.Era uma moça bonita de olhos expressivos, sobrancelhas grossas, lábios carnudos e totalmente virgem.Chamaram no portão.Não consegui reconhecer a voz.Deveria estar gripado ou...com vergonha.
- Entra.Pode entrar.- sorri.- Entraaaaa!
Nisso o carteiro sorriu sem graça, coçando a cabeça.
- Ele mandou dizer que agora é tarde.Nem abriu o envelope.Mandou devolver.Tá aqui, ó.
Por que, meu Deus? Tarde por que??! A gente tinha todo o tempo do mundo! O infinito e o para sempre eram totalmente nossos...se ele quisesse, é claro.

O Ódio é o álibi daqueles que odeiam por amar!

















Vendi o pouco que tinha para lhe comprei um LP que continha as nossas melhores músicas e pedi que a molecada entregasse na sua casa enquanto esperava o agradecimento...
- Dessa vez eu me superei! Logo logo ele vai entrar por aquela porta me pedindo em casamento.
Coloquei uma camisolinha transparente e fiquei deitada no sofá como que se não quisesse nada com nada..Eu já estava com quinze anos e já era uma quase mulher! Seria a nossa primeira noite de amor, a mais esperada de todas só que Fábio nunca apareceu.Quebrei os copos da pia gritando de ódio:
- Filho da boa mãe! Ingrato! Safadooooo!
Os meus pais acordaram com o barulho:
- Vc tá louca?- minha mãe me sacudia.
- Me deixa.O que vcs sabem sobre o amor?! Nossaaaa, com vcs se amam, né?
- Do que esta menina tá falando, hein Oscar?
- É uma louca varrida.Merece um tabefe no meio da cara, isto sim.
Bati a porta do quarto, do único quarto e urrava de paixão!
- Um dia eu vou me vingar de vc, Fábio.Ah, se vou! Vc não me conhece...Vou te matar dormindo...Vou te botar um chifre daqueles, seu idiota! Eu juro.
No outro dia logo cedo dei um cruzeiro para o moleque ir buscar o LP de volta:
- Vc diz assim:a Silmara pediu de volta o presente que te deu, seu gay.
- Chamo ele de gay? E se me bater?
- Não, não precisa chamar ele assim.Deixa que Eu chamo.Só eu.
Fiquei andando de lá pra cá.Será que ele entregaria pessoalmente? Corri no espelho e passei um batom vermelho.Logo o moleque voltou com o disco na mão.
- O que ele te disse?
- Nada.
- Que paspalho.Não disse nada, é?Espera aí...
Fui até a minha vitrola e aumentei o som no último volume para que escutasse do seu quarto.Eu chorava e ria ao mesmo tempo.Depois arranhei com as próprias unhas frente e verso do disco.Deixei todinho riscado em forma de X e Z.Cuspi em cima.Limpei as lágrimas com o braço.Mordi os lábios até sangrar.
- Volta lá e diga que mudei de ideia.Que agora é todinho dele.
- Ah, não vou mesmo.
Mexi no bolso do shorts e não tinha mais um tostão.Tirei o anel do dedo e ordenei:
- É pra tua mãe.Pode ficar.
Uma revolta me invadiu por dentro e o amaldiçoei mil vezes.

Te odeio por todas as lágrimas que me inspirou
por todas as palavras que engoli
por todos os sonhos que sonhei
pelo tanto que te amei!
Um dia fui feliz...Hoje, morri!




















Da janela que tinha no fundo do quintal de uma vizinha dava para eu enxergar o seu quarto, sua cama e sua vida Todos os dias á tardezinha pedia para que me deixasse ficar ali,quieta, observando tudo.Debruçava com muita dificuldade, ansiosa para lhe ver.Quando ele percebia que estava sendo observado, cobria a cabeça com o cobertor xadrez.O que estaria acontecendo com ele? Com nós? Apenas uma vez levantou-se da cama e foi até a janela me olhando com serenidade.Nem uma palavra.Nem um adeus! Estávamos nos perdendo.





















O caminhão apontou na rua e tremi de medo porque um monstro cabeludo havia dominado o seu corpo e um demônio o pensamento.Sua expressão era de muita dor.Eu também não era mais a mesma.Ficava tentando esquecê-lo o tempo todo.Morremos no último beijo.E éramos tão vivos! Enxergava o seu rosto em todos os cantos da cidade e fechava os olhos quando sua figura me envolvia no espelho.

domingo, 23 de maio de 2010


















Eu ia entrando no bar para comprar iogurte quando nos encontramos na porta.O tempo parou e eu só pude lamentar.Tentei falar alguma coisa, mas ele sumiu antes que pudesse dizer o seu nome.
Depois as figuras foram se embaralhando pela rapidez do ônibus, o semáforo, a voz da professora explicando matéria nova... a saudade que me deixava cada vez mais doente.Doente de amor!















Eu voltava do colégio a noite com a mochila amassada no peito quando o moço chegou de carro se jogando em cima de mim.Brecou nos meus pés e nos olhamos furiosos, dum jeito monstro.Começou a chover.Fingi nem sentir todo o amor que me devorava por dentro.Abaixei os olhos, indo embora.No outro dia minha vizinha sentou ao seu lado no degrau da fábrica e perguntou sobre nós:
- Acabou tudo.- respondeu sem levantar o rosto.
- Acabou por quê, Fábio?
- Não quero mais saber de nada nesta vida.Acabou tudo pra mim.
Era o começo do fim.Nisso enxugou a lágrima que escorria do canto dos olhos.
Começamos a nos evitar e passávamos em calçadas opostas.Nem um sorriso ou um gesto, nada! O nosso olhar era pesado e cheirava a morte. Queria tocá-lo e permanecer grudada para sempre.Descí a rua gritando o seu nome.Quatro anos me sufocavam e precisava lhe contar tudo o que sentia por ele.Implorei que parasse, porém limpou o rosto suado e me deixou sozinha no portão.
- Pelo amor de Deus, Fábio.Não me deixa.Eu só tenho vc...fALA comigo...
Parecia que ia explodir de tanta dor.





















Me colocou numa poltrona velha da fábrica e me fez deitar em seu peito.Vivíamos melancólicos como que se previssemos um triste fim , mas este fim ainda estava distante.O empurrei rasgando seus lábios com as unhas, enquanto mordia minha boca.De repente lasquei um tapa na sua cara.Ele me soltou rápido, mas feroz.
- Eu sinto fome de vc...Queria te devorar todinha!
Foi andando de costas até sumir de mim:
- Eu te gosto muito e nunca vou te esquecer...Nunca...nunca...
Fiquei sem ação enquanto ele limpava o sangue da boca.
- Mesmo que um dia não saiba mais o seu nome.
- Por que diz isto? Como não saberá mais o meu nome?
- Mesmo que não saiba nem o meu.
Comecei a chorar.
- Páraaaaa! Não fala assim.Voc sempre será o Fábio e eu a Silmara.Aquela que te amou.
Só que ele não me ouviu e foi embora por muito tempo.














Ele estava com a noiva no carro e eu descia a rua.Meus passos foram diminuindo como as batidas do meu coração.Acho que morri naquele instante.Pulei na sua cara pedindo que parasse, mas quase me atropelou, virando a esquina.
Me descabelei toda.Chorei alto.Muito alto.Chutei o chão.Puxei os cabelos e senti a dor da traição inteirinha dentro de mim!